Escrevo essa mensagem em um triste momento da minha realidade; mas antes de falar dele, acrescento: é extremamente interessante a maneira como algumas pessoas entram e saem de nossas vidas. Algumas delas nem fazem falta, já outras.. você sempre sentirá falta e então irá pensar “eu poderia ter feito isso diferente” ou então “eu perdi uma grande oportunidade de ficar calada” — mas a verdade é que o que está feito não pode ser mudado; e por mais clichê que isso possa parecer, são esses pequenos erros que tem fazem ser quem você é hoje. Seguindo com esta monótona introdução, te pergunto: você que me lês, como eu, é uma pessoa que tem dificuldade em manter relacionamentos? Não digo só os amorosos. Digo os de qualquer natureza; amigáveis, profissionais e pessoais de qualquer tipo. Bom, eu tenho esse problema. Faz um tempo já, e não, não aconteceu nenhum trauma na minha vida para que isso ocorra com a minha pessoa. Nenhum homem quebrou meu coração ou me deu um fora. Na verdade, eu simplesmente não sei explicar. Algo relacionado à rotina ou às pessoas previsíveis me assusta. Me chamam de garota mimada; talvez eu seja. Outras pessoas me chamam de exigente. Eu procuro não me definir por outros pontos de vista, mas a verdade é que eu classifico como uma pessoa comunicativa e, com o perdão da palavra, gosto de atenção. E que atire a primeira pedra quem não gosta. Acontece que com o tempo você tem que respeitar a opinião alheia, ainda que você não concorde. E confiança? Confiança é algo que vai nascendo aos poucos, aliada ao tempo e à convivência. Hoje perdi um amigo muito querido — e quando digo isso, não quero dizer que ele faleceu ou que foi morar longe. Todos temos defeitos e se não trabalharmos ao longo da nossa maturidade com eles, eles permanecem como falhas em nós. O ser-humano, infelizmente, sempre irá criticar as falhas e apontá-las muito antes de visualizar suas qualidades. Hoje eu perdi um amigo por não me permitir corrigir minhas falhas. Não por querer, na realidade, eu poderia usar a rotina como desculpa; ou quem sabe as contas atrasadas ou os trabalhos por fazer… é muito fácil colocar a culpa no que está ao seu redor, não é? O difícil é virar e falar “a culpa sou eu” — e irei parar por aqui. Porque este é o momento de silêncio que deixo para os maduros de sempre falarem “Pare de se fazer de coitadinha” ou “Olha lá ela se fazendo de vítima!” — bom, eu protesto. Admitir seu erro e sua culpa não é se fazer de vítima. É ter a capacidade de se levantar e colocar a face a tapa para todos aqueles que a criticam. Assumir a culpa é o primeiro passo para reparar as coisas. Ainda que assumí-la não irá me trazer de volta o único amigo verdadeiro que tive, a posição que tomo irá me dar paz de espírito. (poucas pessoas sabem o real significado disso.) Tomo a perda do meu amigo como um aprendizado; mesmo porque eu acredito que ele tenha de mim uma noção antiquada. Como a mudança é a lei da vida, penso eu que ele talvez tenha se acostumado com uma pessoa que eu não sou mais, mas sendo a pessoa que um dia eu fui, ainda há, sim, traços dela em mim. Falhas! Afinal, não sou de ferro, nem sou perfeita. Quisera eu, acredite. Já ouviu a frase “Vou fazer o melhor que posso com o quê eu tenho”? É mais ou menos isso. Posso não ser a pessoa mais agradável do mundo, mas o sou com quem me convém. Lamento a perda de hoje, e ficando o vazio; logo penso — preciso ocupar minha mente. Preencher este vazio com algo novo: música nova, pessoas novas e etc. Porque no fundo, é a rotina que eu tanto temo que irá me salvar.
P.S. Ao amigo perdido; sei que isso não irá reparar o estrago feito, tampouco o fará engolir o orgulho (assim como eu não o farei, muito embora este humilde texto tenha sido um começo) — peço-te, por fim, a paciência. Essa poderá se tornar a maior virtude, porque acredite, há muitos como eu pelo mundo. E peço isso porque sempre haverá uma parte de mim preocupada com você… e outra parte que não quer que você seja a perda de outras pessoas. E obrigada por ter participado de um longo capítulo dessa minha trajetória.
(via ladybriennes)





